12 de novembro de 2009

Introdução aos Livros da Bíblia – Gênesis

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Título do Livro

A palavra Gênesis vem, via latim, do título grego do livro. No hebraico, o livro recebeu esse nome por causa de sua primeira palavra, que significa "no princípio". O termo gênesis significa "origem" e, portanto, é um título apropriado para um livro que revela a origem de toda a história humana.

Autor

A tradição judaica lista Moisés como o autor do Gênesis e dos outros quatro livros que o seguem. Juntos, estes livros são denominados de Pentateuco.

Jesus disse: "Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito." (Jo 5.46). O próprio Pentateuco descreve Moisés como alguém que escreveu extensivamente. Ver Êx 17.14; 24.4; Dt 31.24. At 7.22 nos conta que "Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios" Nas notas que acompanham o texto nós observamos que Gênesis emprega um bom número de termos emprestados do egípcio, sendo este um fato que sugere que o autor original tinha as suas origens no Egito, como era o caso de Moisés.

Data

A data tradicional do êxodo do Egito se encontra no meio do décimo quinto século a.C. 1 Reis 6.1 afirma que Salomão começou a construir o templo "no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito". Entende-se que Salomão tenha iniciado a construção em cerca de 960 a.C., datando assim o êxodo em 1440 a.C. Desta forma, Moisés redigiu Êxodo depois de 1440 a.C., durante os quarenta anos no deserto.

Conteúdo

Gênesis inicia com a formação do sistema solar, os preparativos da terra para a sua habitação, e a criação da vida sobre a terra. Todos os oito atos da criação foram executados em seis dias.

Os dez capítulos seguintes explicam as origens de muitas qualidades misteriosas da vida: a sexualidade humana, o matrimônio, o pecado, a doença, as dores do parto, a morte, a ira de Deus, a inimizade do ser humano contra o próprio ser humano e a dispersão das raças e línguas por sobre toda a terra.

Iniciando no cap. 12, Gênesis relata o chamado de Abraão e a inauguração da aliança de Deus com ele, uma aliança gloriosa e eterna que foi renovada com Isaque e Jacó. Gênesis é impressionante pela forma característica da sua narrativa, realçada pelo relato inspirador de José e pela multiplicação do povo de Deus no Egito. Trata-se de uma lição na eleição divina, conforme é recontado por Paulo em Rm 9.

Gênesis antecipa o NT de muitas maneiras: o próprio Deus pessoal, a Trindade, a instituição do matrimônio, a seriedade do pecado, o julgamento divino e a justificação pela fé. A Árvore da Vida, perdida em Gênesis, é restaurada em Ap 22.

Gênesis conclui com a bênção de Jacó sobre Judá, de cuja tribo viria o Messias: "O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Silo; e a ele obedecerão os povos" (49.10). Muitos séculos e muitas lutas seguir-se-ão antes que esta profecia encontre o seu cumprimento em Jesus Cristo.

Aplicação Pessoal

Gênesis questiona, de imediato, muitas percepções seculares do universo. Desta forma, o estudante sério de Gênesis precisa acostumar-se a pensar de forma diferente. Nós precisamos perceber o mundo e a sua história da forma como os antigos autores bíblicos os revelam. Por exemplo, as narrativas dos caps. 1—3 não devem ser entendidas alegoricamente, mas como história factual. A Palavra de Deus sempre deve estar acima da palavra dos homens; não devemos julgar a sua Palavra, antes é ela que nos julga. Portanto, os antigos hebreus não devem ser considerados como primitivos simplesmente porque eles relacionam-se com a realidade de forma diferente. Podemos ter herdado o pensamento racional grego a respeito das realidades do universo, mas isto não significa que o mesmo esteja sempre correto.

Gênesis também ensina muitas outras lições: Abraão é nosso exemplo de fé (15.6; Gl 3.7); a vida de José é um precioso sermão para todos que sofrem injustamente e é um desafio à fidelidade nesta era de permissividade sem disciplina.

Por fim, nós compreenderemos de forma correia a natureza humana apenas quando entendermos a verdade do "pecado original". Quando Adão pecou, todos nós também pecamos e, ainda mais, herdamos uma natureza pecaminosa permanente em nós (8.21; Rm 5.19; 7.18). Somente um Salvador pode resolver de forma efetiva esta questão da corrupção natural herdada.

Cristo Revelado

O Cristo preexistente, a Palavra viva, estava muito envolvido na criação. "Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez." (Jo 1.3). O ministério de Jesus está antecipado em Gn 3.15, sugerindo que o "descendente" da mulher que ferirá a cabeça da serpente (Satanás) é Jesus Cristo, o "descendente" de Abraão mencionado por Paulo em Gl 3.16. Melquisedeque é o misterioso rei-sacerdote do cap. 14. Uma vez que Jesus é rei e também sumo sacerdote, a carta aos Hebreus faz, de forma apropriada, esta identificação (Hb 6.20).

A grande revelação de Cristo em Gênesis se encontra no estabelecimento da aliança de Deus com Abraão nos caps. 15 e 17. Deus fez promessas gloriosas a Abraão, e Jesus é o maior cumprimento destas promessas, uma verdade que é explicada de forma detalhada por Paulo em Gaiatas. Boa parte da Bíblia está fundamentada sobre a aliança abraâmica e o seu desenvolvimento em Jesus Cristo.

A dramática história da prontidão de Abraão em sacrificar Isaque segundo a ordem de Deus apresenta uma incrível semelhança com o evento crucial do NT. "Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas... oferece-o ali em holocausto" (22.2), lembra-nos da prontidão de Deus em sacrificar o seu único Filho pelos pecados de todo o mundo.

Por fim, a bênção de Jacó sobre Judá antecipa a vinda de "Silo", a ser identificado como o Messias. "E a ele obedecerão os povos" (49.10).

O Espírito Santo em Ação

"O Espírito de Deus pairava por sobre as águas" (1.2). Desta forma achamos o Espírito envolvido na criação. O Espírito Santo também operou em José, um fato que foi óbvio para o Faraó: "Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?" (41.38).

Embora o Espírito Santo não seja mencionado de outra forma em Gênesis, nós o vemos em ação ao atrair os animais dos quatro cantos da terra para dentro da arca de Noé. Nós também percebemos a sua operação através das vidas dos patriarcas: Ele protegeu os patriarcas e as suas famílias e os abençoou materialmente. Todos os tipos de dificuldades e situações impossíveis cercaram a família escolhida, tentando frustrar, onde possível, o cumprimento das promessas de Deus a Abraão; porém o Espírito de Deus resolveu, de maneira sobrenatural, cada um destes desafios.

Esboço de Gênesis 

1) A criação do mundo, 1:1—2:25

A.  O começo da criação, 1:1-2
B.  Os dias da criação, 1:3—2:3
C. As origens do homem e da mulher, 2:4-25

2) O pecado do homem, 3:1-24

A. A tentação, 3:1-7
B. Os julgamentos, 3:8-24

3)  As origens da civilização, 4:1—5:32

A. Caim e seus descendentes, 4:1-24
B. Sete, 4:25-26
C. De Adão a Noé, 5:1-32

4)  A história de Noé, 6:1—9:29

A. As causas do dilúvio, 6:1-13 .

B. O transcurso do dilúvio, 6:14—8:19
C. Os acontecimentos após o dilúvio, 8:20—9:29 V.

5) Os descendentes de Noé e a torre de Babel, 10:1—11:26

A.  Os filhos de Jafé, 10:1-5
B. Os filhos de Cam, 10:6-20
C. Os filhos de Sem, 10:21-32
D. A torre de Babel, 11:1-9
E. Os descendentes de Sem, 11:10-26

6) A história de Abraão, 11:27—25:11

A. A família de Abrão, 11:27-32

B. O chamado de Abrão, 12:1-20

C. A separação de Abrão e Ló, 13:1-18

D. A libertação de Ló por Abrão, 14:1 –24

E. A aliança com Abrão, 15:1-21

F. O nascimento de Ismael, 16:1-16

G. A circuncisão de Abraão, 17:1-27

H. A destruição de Sodoma e Gomorra, 18:1-19:38

I.  Abraão e Abimeleque, 20:1 –18

J. O nascimento de Isaque, 21:1-34

L. O oferecimento de Isaque, 22:1-24

M. A morte e o sepultamento de Sara, 23:1-20

N. O casamento de Isaque, 24:1-67

O. A morte de Abraão, 25:1-11

7) Os descendentes de Ismael, 25:12-18    

8) A história de Isaque e seus filhos, 25:19

A. O nascimento de Esaú e Jacó. Esaú vende  a primogenitura, 25:19-34

B. Isaque e Abimeleque, 26:1-35

C. Jacó conquista a bênção dolosamente, 27:1-46

D. A fuga de Jacó para a Mesopotâmia, 28:1-9

E. O sonho de Jacó em Betei, 28:10-22

F. Jacó e as filhas de Labão, 29:1—30:43

  1. 1. Jacó encontra Raquel, 29:1-14
  2. 2. Jacó se casa com Lia e Raquel, 29:15-30
  3. 3 Jacó gera filhos,'29:31—30:24
  4. 4. Jacó negocia com Labão, 30:25-43

G. A volta de Jacó a Canaã, 31:1—33:20

  • 1. Sua separação de Labão, 31:1-55
  • 2. Sua reconciliação com Esaú, 32:1— 33:20

 

H. O restante da vida de Jacó, 34:1—36:43 

  • 1. O massacre em Siquém, 34:1 –31
  • 2. A renovação da aliança em Betel, 35:1-15
  • 3. A morte de Raquel e de Isaque, 35:16-29
  • 4. Os descendentes de Esaú, 36:1-43

9. A história de José, 37:1—50:26

A. José vendido como escravo, 37:1-36
B. Judá e Tamar, 38:1-30

C.José na casa de Potifar, 39:1-23

D.José interpreta os sonhos do padeiro e do copeiro, 40:1-23

E. José interpreta o sonho de Faraó,

F. Os irmãos de José no Egito, 42:1-45:28

  • 1. A primeira visita de seus dez irmãos, 42:1-38
  • 2. A segunda visita dos onze irmãos, 43:1-44:34
  • 3. A revelação da identidade de José, 45:1-28

G. A família de José no Egito, 42:1-45:28

H. A bênção dos filhos de José, 48:1-22

I.   A bênção de Jacó a seus filhos, 49:1-27

J. A morte e o sepultamento de Jacó, 49:28-50:14

L. Os últimos dias de José, 50:15-26

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Fontes:

Bíblia de Estudo Plenitude

Bíblia de Estudo Anotada Expandida

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